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23 de Agosto de 2017
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    Defensoria Pública faz alerta para o uso do aplicativo Sarahah

    Incentivar a franqueza e a honestidade. Estes são os pontos centrais do aplicativo árabe Sarahah, recém-chegado ao Brasil e que já possuiu mais de cinco milhões de downloads. As críticas, que os criadores da ferramenta acreditam que são apenas construtivas, podem se tornar ofensas graves e a Defensoria Pública pode atuar em casos extremos, como os de ameaça contra a vida.

    A rede social é simples: os usuários cadastrados recebem perguntas e comentários anônimos. Para ter esta interação é necessário criar uma conta com e-mail e nome de identificação para mandar e receber mensagens, mas não existe a ferramenta “responder”. Para a psicóloga e subsecretária de atividade psicossocial da Defensoria Pública do Distrito Federal, Roberta de Ávila, ferramentas como esta podem comprometer as relações e perder a conectividade.

    “Precisar de um aplicativo para se comunicar com um amigo cria um distanciamento, olho no olho, uma conexão. Pode-se filtrar, ter cuidado no que é dito para que a interpretação do outro seja adequada. Criaram o aplicativo com as melhores intenções, mas assim como todas as críticas e ressalvas, tem que tomar cuidado para não perder o contato e enfraquecer ainda mais as relações”, alerta.

    A psicóloga acrescenta ainda que o Sarahah pode ter um efeito reverso e gerar quadros de transtorno de ansiedade generalizada. “Os jovens, que estão na fase de paquerar, adoraram o aplicativo. Mas quando as mensagens são negativas eles ficam tristes, angustiados. Por exemplo, quem falou que eu estou gordinha? Por não saber quem foi, a jovem fica arrasada e preocupada com uma questão maior, fica frustrada”, explica.

    O defensor público Werner Rech acredita que Sarahah pode gerar mais malefícios do que benefícios. “Ao aderir ao aplicativo, a pessoa pode ser alvo de crítica e, devido ao anonimato, fica vulnerável a questões de abuso e a declarações ofensivas”. Rech diz ainda que a Constituição Federal garante o direito da liberdade de expressão, porém, é proibido o anonimato, o que tornaria o aplicativo ilegal no Brasil, “exceto pelo fato de ser de consentimento dos participantes esse tipo de conduta anônima”, esclarece o defensor.

    No caso de algum usuário receber mensagens mais sérias, como as de ameaças contra a vida, o defensor público do Núcleo de Execuções Penais, Reinaldo Rossano, alerta: “só se pode caracterizar crime se for possível identificar quem fez a ameaça. Como o Sarahah é anônimo, pode-se penalizar os gerenciadores do site ou entrar com um mandado judicial, solicitando a quebra do sigilo para fazer a identificação do acusado”, explica o defensor .

    Priscila Leite

    da Assessoria de Comunicação

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